quinta-feira, 12 de maio de 2016

MAIORIA DO SENADO DISCURSA A FAVOR DO AFASTAMENTO DE DILMA ROUSSEFF.

Reunião para decidir sobre o afastamento da presidente da República teve início atrasado após tentativa de anulação por parte de governistas; sessão se estende até esta quinta-feira

Pedro França/Agência Senado
O senador Renan Calheiros na abertura da sessão em que parecer de Anastasia é votado

Iniciada com uma hora de atraso, às 10h da manhã desta quarta-feira (11), a sessão que irá definir se o processo que pede o impeachment de Dilma Rousseff da Presidência da República no Senado adentrou a madrugada desta quinta-feira (12). (Clique aqui para acompanhar a discussão)

Mais de 18 horas após a abertura da sessão pelo presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), às 04h35 de quinta, 66 dos 71 senadores inscritos para discursar na tribuna do Senado já haviam se pronunciado: 45 anunciaram voto a favor do impeachment, 20 contra e 1 indefinido. Cada um dos inscritos tem o tempo de 15 minutos para debater o impeachment. A grande maioria dos senadores que já se pronunciaram apoiam o pedido de afastamento da presidente Dilma.

Como era de se esperar, a sessão não fluiu rapidamente para que, como desejava a oposição ao governo, acabasse o mais cedo possível. Por volta das 11h, senadores da base governista seguiam apresentando questões de ordem para tentar o cancelamento do processo contra a presidente.

Representada por Lindbergh Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffman (PT-PR) e Vanessa Graziotin (PCdoB-AM), a base governista tentava anular a sessão com argumentos como o fato de a relatoria do processo ter sido entregue ao PSDB, um dos autores da denúncia contra Dilma; o desvio de finalidade de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ao acatar a abertura do pedido de impeachment – segundo a defesa de Dilma, como motivo de vingança –;  e pelo Tribunal de Contas da União ainda não ter analisado as contas de 2015 do governo federal, as mesmas que embasam a denúncia de impedimento. Calheiros rejeitou todas as questões de ordem.

"A denúncia foi apresentada antes do fim do exercicio orçamentário. A gente diz que não tem crime, não conseguem nos mostrar onde tem crime, então a gente pede que tenha o julgamento das contas de 2015 pelo TCU e depois pelo Congresso Nacional", alegou Farias. "Isso que causa indignação. Estão querendo afastar uma presidente antes que o tribunal analise suas contas. Se esta questão for rejeitada, vamos recorrer ao Supremo Tribunal Federal."

As investidas dos governistas foram amplamente criticadas pela oposição, que pedia agilidade na sessão. "O o governo não faz outra coisa a não ser procrastinar o início desta sessão em clara deslealdade processual", atacou o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB). "Além da deslealdade processual e da litigância de má fé, eles prejudicam o povo brasileiro [...] É uma postura desleal, um truque. Apelo para que possamos iniciar a sessão em respeito ao povo brasileiro que aqui representamos."

Após o discurso de todos os parlamentares inscritos, o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, ainda volta a apresentar a defesa da presidente pelo mesmo período de 15 minutos. 

A primeira oradora do dia, a senadora Ana Amélia (PP-RS), só foi começar seu discurso às 11h18, mais de duas horas após o horário marcado para o início da sessão. Líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO) chegou a atacar Calheiros por permitir o atraso.

"Já estou com saudades do Raimundo Lira [presidente da comissão especial que elaborou e aprovou o parecer que será votado no plenário do Senado]. Vossa excelência [Renan] tem sido até por demais complacente. Já estamos há mais de uma hora aqui e nada", criticou. 

Após o discurso de 15 senadores, parlamentares de oposição ao governo passaram a cobrar a redução do tempo de tribuna para os inscritos, que deixaria de ser de 15 minutos para algo entre 5 e 10 minutos. Sem consenso no plenário, Renan decidiu não levar o requerimento a votação.

Às 12h30, o presidente do Senado interrompeu a sessão para o almoço, que durou mais que o previsto. A sessão só foi retomada por volta das 14h30. Já às 18h20, Renan anunciou um novo intervalo. A sessão foi retomada – mais uma vez com atraso –, às 19h26 da noite de quarta (11).

Fonte;  IG

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